Bário que salva, bário que mata


O bário, símbolo Ba, metal do grupo 2A da Tabela Periódica, nº atômico 56, massa atômica 137,34, faz parte do grupo dos metais chamados alcalino-terrosos, juntamente com o berílio, magnésio, cálcio, estrôncio e rádio. Seu nome deriva do grego barys, pesado. De cor branca-prateada, é mole e apresenta uma superfície brilhante após ser cortada. Esse metal ocorre como uma mistura de 7 isótopos estáveis, sendo preparados em laboratório mais 12 isótopos radioativos. Na natureza está sempre combinado com outros elementos, correspondendo a cerca de 0,45% da crosta terrestre, principalmente sob a forma dos minerais barita (espato pesado) e whiterita (viterita). Quando preparado sob forma metálica reage instantaneamente com o oxigênio do ar formando o óxido, e com água formando o hidróxido. Assim, deve sempre ser guardado sob petróleo, ou outro líquido isento de ar, para evitar a reação. O bário absorve gases muito facilmente. Devido a essa propriedade é usado em tubos a vácuo para remoção de gases residuais. Aplica-se também como desoxidante no refinamento de cobre e como constituinte de certas ligas especiais, por exemplo: com chumbo e cálcio forma o chamado Metal Frary, liga de baixa fricção usada em suportes. A maior parte dos compostos de bário é produzida a partir do sulfato e de sua redução a sulfeto, BaS, apresentando aplicações diversas. Assim, o cloreto de bário é usado na preparação de couros brancos, o nitrato e o clorato são utilizados em pirotecnia, produzindo uma bonita cor verde em fogos de artifício, e o titanato de bário possui uma constante dielétrica extremamente alta, sendo empregado na fabricação de capacitores. Entretanto, destacaremos dois outros compostos, o sulfato e o carbonato. O carbonato de bário é usado na manufatura de cerâmicas e alguns tipos de vidro. Também é utilizado para purificar certas soluções químicas e como material básico no preparo de outros compostos de bário, como o sulfato. É levemente solúvel em água e, como todos os compostos solúveis de bário, extremamente venenoso aos mamíferos. Se ingerido, dissolve-se rapidamente na presença do ácido clorídrico do estômago, é absorvido e deposita-se sobre os pulmões, músculos, ossos, e órgãos internos. Nessas circunstâncias, uma solução de sulfato (como o sulfato de sódio ou de magnésio) deverá ser usada imediatamente como antídoto, permitindo a formação e precipitação do sulfato de bário, inócuo, e evitando uma posterior absorção do sal solúvel. A ingestão desse composto extremamente tóxico, mesmo em pequena quantidade, causa dificuldades respiratórias, aumento da pressão arterial, alteração no ritmo cardíaco, irritação no estômago, enfraquecimento dos músculos, mudanças nos reflexos nervosos, edema cerebral e alterações prejudiciais ao fígado, rins, coração e baço, provocando sintomas agudos de envenenamento como salivação excessiva, vômitos, diarréia, falta de ar, paralisia e taquicardia. Doses de cerca de 0,8g de carbonato de bário são consideradas letais e a morte em seres humanos ocorre rapidamente por falência cardíaca ou respiratória. Em mamíferos pequenos a dose mortal é quantitativamente menor. O carbonato de bário é mundialmente usado como veneno para ratos. É o bário que mata... Já o sulfato de bário é bem diferente. Existe como um sólido branco, que pode também ser obtido sinteticamente pela reação de ácido sulfúrico com um sal de bário menos insolúvel. É usado na fabricação de borracha, plásticos e resinas, como enchimento. Nas indústrias de tintas, combinado com óxido de zinco ou sulfato de sódio, fornece pigmentos brancos usados como branqueadores. Devido a sua alta densidade é empregado em equipamentos de perfuração de petróleo, misturado com bentonita para engrossar a lama petrolífera, diminuindo sua fluidez. Seu uso mais importante, entretanto, consiste em permitir radiografias e radioscopias de órgãos moles, que normalmente são transparentes aos Raios X. Ele constitui o que se chama um agente radiopaco, isto é, opaco aos Raios X e utilizado clinicamente para diagnosticar certas condições patológicas. Como é insolúvel em água e em gordura, sulfato de bário forma, ao ser misturado com água, uma suspensão densa que bloqueia os Raios X. Em conseqüência, as áreas do corpo em que estiver localizado aparecerão brancas na radiografia.

Radiografia de intestino utilizando sulfato de bário

Isso cria a distinção necessária, ou contraste, entre um órgão e os demais tecidos, ajudando o radiologista aperceber qualquer condição especial existente no órgão ou parte do corpo analisada. Administrado por via oral ou retal, permite assim exames do trato gastro-intestinal e a detecção de câncer, tumores, úlceras e outras condições inflamatórias como pólipos e hérnias. É o bário que salva!

Fonte: © Editora Moderna